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O consumo e o futuro, o que o design tem a ver com isso?

Poucas pessoas sabem que o consumo foi inventado na segunda guerra mundial no sentido de melhorar a economia e que se tornou a regra para todo o sistema. O documentário História das Coisas mostra, de maneira didática e inquestionável qual é a história natural das “coisas”, desde sua Extração, passando pela Produção, Distribuição, Consumo e Disposição de Lixo. A apresentadora nos mostra que existem informações não reveladas no caminho linear que foi nos ensinado. Ela mostra que em cada etapa, existe um mundo de falácias a serem desmascaradas e apresentadas àqueles que têm o que fazer para remediar o impacto ambiental da extração e produção desmesuradas: os consumidores. Ou seja: nós mesmos, cada um de nós.

Mas o que o design tem a ver com isso? Refletindo o documentário acima, percebe-se que tudo ao nosso redor é design mas a maioria que se rotula como design não passa de desenho, formas atrativas, estética para ajudar o consumo desenfreado. Phillippe Starck rotula isso como”…design cínico…”. Não podemos confundir o verdadeiro sentido da palavra com o que a mídia divulga.

Muito se fala hoje do papel do design e sua importância na inovação das corporações que precisam “pensar design” (design Thinking). Mas afinal de contas o que tem de tão extraordinário esse tal de design? Tirando o iPhone, alguém consegue citar outro exemplo? A verdade é que há vários exemplos por ai, pois o design vai muito além de produtos. O design está na história entre pensadores e cientistas que transformaram nossa sociedade no que ela é hoje. Mas com o desenvolvimento do pensamento racional e da divisão do trabalho, o papel da criatividade passou a fazer parte da de um segmento que hoje ainda chamamos de ciências humanas. Por um tempo a criatividade na indústria foi valorizada na publicidade, pois era capaz de dar uma cara para as empresas do que elas queriam parecer, eram os maquiadores do mercado, dando um retorno em curto prazo. Mas como toda a maquiagem, tem seu tempo de duração (mesmo as chamadas permanentes). Logo as pessoas perceberam que aquela imagem que a publicidade mostrava (e ainda mostra) era apenas uma fachada.

Veja abaixo a definição do que é design pela ICSID (International Council of Societies of Industrial Design) e, se tiver um tempo, vale a pena ver o vídeo acima.

“O Design é uma atividade cujo objetivo é estabelecer qualidades multi-facetadas de objetos, serviços e seus sistemas em ciclos de vida completos. Portanto, design é o fator central da humanização inovadora das tecnologias e um fator crucial de intercâmbio cultural e econômico. O Design procura descobrir e estabelecer relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas, com o objetivo de:

  • enfatizar a sustentabilidade global e a proteção ambiental (ética global);
  • dar benefícios e liberdade para a inteira comunidade humana, individual e coletiva, usuários finais, produtores e protagonistas de mercado (ética social);
  • dar suporte à diversidade cultural, independentemente da globalização mundial (ética cultural);
  • gerar produtos, serviços e sistemas, cujas formas sejam expressivas e coerentes com sua própria complexidade.

O design é uma atividade envolvendo uma ampla faixa de profissões, das quais produtos, serviços, comunicações gráficas, decoração e arquitetura fazem parte. Juntas, essas atividades deveriam elevar, de um modo harmônico e orquestrado com outras profissões, o valor da vida.”

Sergio Brandit e Vinícius Costa

LINKS:
http://www.icsid.org/

http://www.storyofstuff.com/international/index.html

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