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Design Gráfico Estratégico! Existe?

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Por mais que eu tenha procurado referencias de design gráfico estratégico, os exemplos que tenho encontrado estão voltados para o design de produto ou design social. São categorias especificas do design que identifico importância fundamental para o futuro, para geração de valor e de qualidade de vida. No entanto essas não são áreas que atuo diretamente, por isso sempre fiquei receoso com a aplicabilidade do design estratégico na área de design gráfico. O exemplo que postei em “design para minorias” foi um passo importante, mas ainda não havia conseguido fechar o entendimento mercadológico por inteiro.

No dia 05 de fevereiro fui na palestra do Ronald Kapaz, sócio-diretor da OzDesign que conseguiu definir para mim algumas idéias de forma racional das quais já tinha entendido de forma intuitiva (1). O principal insight foi a visão do Design-Filósofo, a qual concordo plenamente e que tenho me empenhado como meta para o meu desenvolvimento. Esse pensamento envolve muito mais a qualidade questionadora e inquietante do design do que qualquer qualidade técnica específica. Baseado nesse e em alguns outros pensamentos consegui chegar a algumas conclusões (ou inquietações) sobre design gráfico estratégico.

Algumas transformação estão ocorrendo no design gráfico. Seu principal valor não está mais em interpretar e transmitir a imagem das empresas (clientes) para o mercado. Ele está em interpretar a empresa e apresentar lacunas entre o que a empresa é, como ela quer ser, como ela quer se apresentar, como o consumidor à enxerga e o que o consumidor realmente deseja e espera.  Enfim, o design não está simplesmente em apresentar soluções para os problemas imediatos que o cliente quer resolver (traduz-se conseguir mais lucratividade), mas sim em apresentar as questões corretas para o cliente e os problemas verdadeiros que ele precisa confrontar.

Uma solução visual esteticamente bem desenvolvida e implementada não surtirá efeito se não corresponder à identidade da empresa e as expectativas do consumidor final assim como os diversos pontos de relacionamentos da empresa. O design, dessa forma, está sendo incorporado como parte fundamental do Branding, possibilitando uma ampliação do Brand equity (2) e trabalhando nos fundamentos da construção de uma personalidade da empresa, para ela ser realmente o que necessita para evoluir, e não apenas estar presente.

A formulação de marca, sua estética e sua comunicação integrada precisa ser interiorizada pela empresa, precisa corresponder a sua estrutura por essência. Mas ainda sim o design estratégico não está em fazer da empresa o que ela precisa para conquistar e manter seus clientes. O design estratégico está em atuar no mercado visando sua transformação para o futuro e para a sociedade. Em implementar nas empresas uma visão de futuro onde a ética global, ética social e ética cultural está em primeiro lugar e seu produto final, visível para a sociedade é a valorização da vida. (definição do que é design pela ICSID)

Dessa forma a comunicação visual, ou design gráfico, possui um papel muito mais de transformar as corporações e, conseqüentemente, seu posicionamento dentro da sociedade intrinsecamente visual. No entanto o conceito visual a longo tempo irá perder sua soberania, pois é um espaço disputado centímetro a centímetro nas grandes cidades, nas mídias e na internet. Novas tecnologias trarão possibilidades infinitas e novas formas de comunicação (hoje já é possível se comunicar com pessoas em coma). As minorias hoje têm ganhado importância como os deficientes físicos e idosos que precisam do auxílio dos outros sentidos. Além disso na sociedade super atarefada, será cada vez mais comum a utilização multisensorial  para a resolução de tarefas simples. Nesse contexto, quem conseguir construir uma marca de forma multisensorial ganhará destaque. Conseqüentemente o conceito de design gráfico irá se tornar ultrapassado e quem está hoje o enxergando como ferramenta para estética das empresas, terá que se adequar às novas tecnologias, assim como aconteceu com a typografia, a litografia e o fotolito e até mesmo com a câmera analógica.

Observações

(1) Outra grande lição que aprendi na palestra foi a visão apresentada sobre separação entre lógica e intuição. Enquanto na lógica se constrói um  pensamento no tempo linear através de uma coerência 1+1 = 2, na intuição o pensamento é único e holístico, uma compreensão do todo que muitas vezes não é possível racionalizar, mas nem por isso menos complexo ou verdadeiro do que o pensamento lógico.

(2) Entendo Brand Equity como todos os recursos (inclusive inteligência) necessários para que a marcas sejam posicionadas, comunicadas e vendidas com lucros financeiros e emocionais (José Roberto Martins).

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6 comentários > veja todos

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Vinícius Costa
6 de fevereiro de 2010
11:29

Muito bom Sergio. Mas hoje não consigo desmembrar o design. Para mim é tudo a mesma coisa, mas em plataformas diferentes. Design gráfico, de produto, digital e até mesmo a arquitetura são, para mim, braços do design Thinking.

Sergio Brandt
6 de fevereiro de 2010
11:47

Concordo, mas ainda hoje somos separados no mercado de trabalho dessa forma. Com isso por mais que o conceito de Design Estratégico seja o mesmo para todos, sua aplicabilidade acaba sendo um pouco diferente em cada setor. E também achei importante para dar outros exemplos para quem é designer gráfico e não entende como funciona design estratégico.

Mauricio Costa
7 de fevereiro de 2010
7:22

Olá Sérgio:
Parabéns pela matéria. Excelente abordagem.
Publiquei-a em meu blog (com os devidos créditos).
Convido você a visitar nosso blog: http://marcasfortes.blogspot.com
Suas idéias e comentários serão sempre be vindas.
Um abraço cordial.
Mauricio Costa
support.brands@uol.com.br

Ellen Kiss
8 de fevereiro de 2010
10:02

Sergio, obrigada por ter participado do evento e parabéns pelo artigo e pelas reflexões. Concordo com o Vinicius no que se refere à integração das particularidades. Para mim, o que muda no design estratégico não é a aplicabilidade (produto, digital, gráfico, etc.) e sim o pensamento instrínco ao projeto; não somente orientado para a busca de uma materialização em si, mas voltado à um questionamento mais amplo. Pensar também no conteúdo e não somente na forma. Como o proprio Ronald mencionou no evento, “desenhar o corpo, mas também sua alma”.

Quero também deixar registrado à turma do caxolas que eu adorei o site! Well done!

Marco A A Rezende
12 de fevereiro de 2010
17:34

Design Estratégico é uma expressão que usávamos bastante, inclusive em publicações, até o final da década de 90. Aí, depois de estudar o que é Estratégia e Planejamento Estratégico, verifiquei que Design Estratégico é um pleonasmo bastante ingênuo. O Design é sempre Estratégico na medida que integra diversos parâmetros para resolver um problema através da síntese projetual. Para confirmar, veja se algum escritório de design e branding usa esta expressão…parece-me que não.

Portanto, Estratégia da Marca é correto. Design Estratégico é risível. Recomendo abortar este pleonasmo que depões contra os profissionais jubto aos Administradores de Empresas bem formados e atualizados. Ele desvaloriza nosso trabalho.

Régis Frias
13 de fevereiro de 2010
10:38

Olá, Marco,

obrigado pelo comentário.

Terminologia talvez seja a questão mais complicada em qualquer disciplina. Chamar um termo de pleonasmo ingênuo é partir do pressuposto que exista um mínimo de consenso a respeito de qualquer definição. Veja, por exemplo, o termo “meio ambiente”, hoje muito em voga graças à destruição que o ser humano anda impondo ao nosso mundo. Tanto a palavra “meio” como a palavra “ambiente” possuem o mesmo significado, os anglo-saxões usam simplesmente a palavra “environment”. E por que insistimos nesta palavra que contém um pleonasmo? Costumamos fazer isso quando a palavra de origem já está tão gasta que não mais transmite o seu sentido original. A língua portuguesa sofre muito por não ter uma tradução adequada para a inglesa “design”. A principal mazela sofrida por nós lusófonos é justamente a perda do sentido de estratégia que deveria estar embutido em todo projeto de design. Nunca me esqueço da primeira vez que vi em um estúdio de beleza a expressão “design de sombrancelha” (que, aliás, me faz lembrar de uma amiga minha que foi a uma livraria procurar por livros de estética, ou seja, filosofia da arte, e foi direcionada à seção de revistas femininas). Ora, num país onde tal sentido está tão confusamente difundido talvez seja sim importante retomar o significado original ainda que seja por meio de um pequeno deslize linguístico.

Vale lembrar ainda que a própria língua está repleta de redundâncias: a palavra “conosco” contém sua origem latina “noscum” que já significa “com + nós”. Eu concordo que muitos pleonasmos sejam perniciosos, mas duvido que seja o caso da maioria e, particularmente, do design estratégico. Como você mesmo observou, um designer precisou estudar o significado da palavra para saber que o termo era redundante, imagine então nossos colegas não iniciados?