plano D
Autor: Vinicius Costa

Não somente o Estado de São Paulo, mas também outros 17 estados e o Paraguai foram alvo da falta de planejamento urbano e energético. O apagão de terça-feira dia 10/11/09, que durou duas horas, semelhante ao de 1998, 2005 e 2007, parecia um teaser do lançamento do filme 2012, só faltava inundarem as ruas de água, que agora, com a chegada da primavera e as pancadas de chuva, poderia ser o segundo teaser desse filme, já que o terceiro é o iceberg, de 50m de altura, próximo a ilha australiana.
A civilização evoluiu e as cidades cresceram desordenadamente sustentadas pelo pensamento consumista/ expansivista do século XIX , ou seja, em cima do binômio eletricidade/petróleo, porém precisando resolver problemas do século XXI, leia-se problemas ambientais, superpopulação, transporte e sustentabilidade. Como resolver problemas emergenciais derivados do século XIX com as mesmas soluções que causaram esses problemas? Infelizmente, a nossa abordagem relacionada à civilização pós-moderna desconsidera na maioria das vezes a lógica ou metodologia, mas valoriza fatores relativos a fins econômicos e políticos que acompanha grandes grupos que mantém o controle do capital e das instituições responsáveis pelas decisões e soluções. A falta de um planejamento estratégico nos centros urbanos, seja na implementação ou na ampliação destas, e a cegueira crônica das entidades e mentes envolvidas no pensar o futuro, resulta no que vimos nesta terça-feira. Projetar estrategicamente não é ter um plano B ou C na manga e sim analisar futuros possíveis e eventos adversos, para possibilitar uma resposta imediata atendendo aos anseios da população. Podemos, por exemplo, comparar o apagão no Brasil com outros eventos previsíveis pelo mundo, como no Japão, na Holanda e na Inglaterra. No Japão já são notórias as tecnologias de sustentação dos prédios para resistir a terremotos e vãos subterrâneos para impedir que prédios sejam arrastados por tsunamis. Sistemas de observação de tsunamis contam com dados de 180 estações sísmicas em todo o país e cerca de 80 sensores marítimos, em tempo integral. Em 2007 houve uma ameaça de inundação em parte da Inglaterra e Holanda. Por acaso, dez anos antes, foi construído um dick para evitar que um desastre acontecesse, já que em 1953 duas mil pessoas morreram devido a fatos parecidos (http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/11/09/ult729u71294.jhtm). No entanto podemos ver que o problema de abastecimento de energia elétrica não é exclusividade do Brasil. Um enorme apagão em 2006 atingiu Alemanha, França, Itália, Espanha e Bélgica, e poderia ter atingido toda a Europa (http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/blackout-atinge-milhoes-na-europa/). Muitos países do Norte da Europa utilizam até hoje usinas a base de queima de carvão e madeira, uma incoerência diante de tantos debates sobre o futuro do mundo.
Dependendo da localização geográfica de cada cidade, pensar em fontes de energias alternativas do tipo oceânica, solar, eólica, biomassa, geotérmica, hidroelétrica, hidrogênica ou do próprio lixo, torna-se uma das grandes alternativas estratégicas de substituição das energias termoelétricas ou na falta de energia hidroelétrica. Hoje, caso haja um apagão de longo prazo, a única solução seriam as usinas termo-elétrica, que demorariam aproximadamente 2 horas só para serem acionadas, além de serem altamente poluentes para o ar. Se municípios ou estados tivessem fontes alternativas, apagões por falha de transmissão deixariam de existir. Um rápido olhar sobre o sistema utilizado no mundo de hoje reflete uma forte negligência da razão, lógica e aplicação científica dessas energias. Em poucos ou em nenhum momento projetaram uma cidade pensando em um plano D, programar e planejar com o foco no tempo, no futuro. É possível planejá-lo com estratégia e design que agregue valores subjetivos, pois o “foco do Design é o Ser Humano e Design do futuro é um futuro melhor para o ser humano” – Álvaro Guilhermo. O plano D que cito acima é projetar as cidades com conceitos de Design Estratégico e para fazer isso não precisa ser designer e sim pensar design.
Autores: Sergio Brandt e Vinícius Costa

